"(...)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não."
Manoel Alegre
obrigado vá! ;)
24 de março de 2010
15 de março de 2010
25 de fevereiro de 2010
12 de fevereiro de 2010
8 de fevereiro de 2010
5 de fevereiro de 2010
mais leve
"Minha mãe anda preocupada com a minha irmã. A preocupação faz todo o sentido do mundo: minha irmã anda trabalhando demais. E por isso não tem dormido direito, vive com olheiras, está estressada, nervosa, irritada. Minha irmã é bióloga e passa seus dias procurando uma forma de diagnosticar a dengue. Difícil imaginar trabalho mais nobre.
Eu também tenho trabalhado bastante. Devido a um período de concorrências, tenho virado noites e passado finais de semana na agência. O esforço extra também me rendeu olheiras profundas, cansaço, stress, nervosismo. Mesmo com tudo isso, minha mãe não parece muito preocupada comigo. Afinal, se por um lado minha irmã tem ocupado seu tempo tentando salvar a humanidade, eu só faço propaganda.
Para nós, publicitários, é difícil admitir, mas minha mãe está certa. Por mais que a gente se esforce e encare cada job com a maior importância do mundo, o que nós fazemos não vai mudar o destino da raça humana. Não vai, sequer, causar impacto significativo na vida de uma única pessoa. A gente faz propaganda. E propaganda, na percepção das pessoas comuns, é somente uma pequena distração em seu cotidiano. Uma interrupção que, quando muito, consegue emocionar por alguns segundos.
Que lição podemos tirar de tudo isso? Vamos levar o nosso trabalho menos a sério. Vamos nos divertir, esquecer as reuniões sisudas, as metas, os objetivos empresariais, os complicados termos em inglês. Isso tudo sim é importante e digno de preocupação. O nosso trabalho é bem mais simples que isso. Nós só precisamos arrancar alguma emoção do nosso público. Se fizermos isso, e apenas isso, nossa missão estará cumprida. Parece pouco mas, devido ao stress e a seriedade que nós mesmos nos impomos, nem isso temos conseguido alcançar.
P.S.: Fui injusto com a minha mãe. Ela anda sim preocupada comigo. Minhas olheiras e meu nervosismo lhe parecem sinais bem evidentes de que eu ando usando drogas. Coisa de publicitário."
Sobre as preocupações da minha mãe
Rodrigo Poersch - Diretor de Criação da WOW! Comunicação
Eu também tenho trabalhado bastante. Devido a um período de concorrências, tenho virado noites e passado finais de semana na agência. O esforço extra também me rendeu olheiras profundas, cansaço, stress, nervosismo. Mesmo com tudo isso, minha mãe não parece muito preocupada comigo. Afinal, se por um lado minha irmã tem ocupado seu tempo tentando salvar a humanidade, eu só faço propaganda.
Para nós, publicitários, é difícil admitir, mas minha mãe está certa. Por mais que a gente se esforce e encare cada job com a maior importância do mundo, o que nós fazemos não vai mudar o destino da raça humana. Não vai, sequer, causar impacto significativo na vida de uma única pessoa. A gente faz propaganda. E propaganda, na percepção das pessoas comuns, é somente uma pequena distração em seu cotidiano. Uma interrupção que, quando muito, consegue emocionar por alguns segundos.
Que lição podemos tirar de tudo isso? Vamos levar o nosso trabalho menos a sério. Vamos nos divertir, esquecer as reuniões sisudas, as metas, os objetivos empresariais, os complicados termos em inglês. Isso tudo sim é importante e digno de preocupação. O nosso trabalho é bem mais simples que isso. Nós só precisamos arrancar alguma emoção do nosso público. Se fizermos isso, e apenas isso, nossa missão estará cumprida. Parece pouco mas, devido ao stress e a seriedade que nós mesmos nos impomos, nem isso temos conseguido alcançar.
P.S.: Fui injusto com a minha mãe. Ela anda sim preocupada comigo. Minhas olheiras e meu nervosismo lhe parecem sinais bem evidentes de que eu ando usando drogas. Coisa de publicitário."
Sobre as preocupações da minha mãe
Rodrigo Poersch - Diretor de Criação da WOW! Comunicação
pares
"Na dança do movimento, às vezes olhamos o todo e, de repente, desgostamos. Vira uma situação carcerária interna, sôfrega, desilusória. Bate um vazio. Parece que a vida perdeu o passo, destrilhou. A coreografia não orna com a melodia, estamos definitivamente fazendo alguma coisa errada, acabando com a nossa saúde.
Hoje descobri a saída perfeita: Os pares. É preciso conectar esses com aqueles, essa cor com aquela, cada coisa na sua vez, por vez. De manhã, isso, assim, aquilo também. Depois, respire calmamente, quebre o carreirão, mastigue. Mais tarde, a outra coisa, uma só, lerda e lenta, bem feita, bonita de ver. Junte com ela, pela cintura, deslize-se, deslize-a."
Ricardo Gaioso
Hoje descobri a saída perfeita: Os pares. É preciso conectar esses com aqueles, essa cor com aquela, cada coisa na sua vez, por vez. De manhã, isso, assim, aquilo também. Depois, respire calmamente, quebre o carreirão, mastigue. Mais tarde, a outra coisa, uma só, lerda e lenta, bem feita, bonita de ver. Junte com ela, pela cintura, deslize-se, deslize-a."
Ricardo Gaioso
3 de fevereiro de 2010
1 de fevereiro de 2010
20 de janeiro de 2010
vai fundo
"No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas."
Paulo Leminski
no palavraguda
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas."
Paulo Leminski
no palavraguda
19 de janeiro de 2010
13 de janeiro de 2010
sonhando
"O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…"
Miguel Torga
no palavraguda
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…"
Miguel Torga
no palavraguda
11 de janeiro de 2010
interessante
"Na verdade, se não nos enfadássemos, jamais faríamos esse gesto de abnegação e de humildade que é abrir um livro. Haveríamos de nos concentrar em nossos pensamentos, supondo que valem por todos aqueles que outra pessoa pode ter. A leitura é uma vitória do enfado sobre o amor próprio."
A arte de ler, de Émile Faguet
no palavraguda
A arte de ler, de Émile Faguet
no palavraguda
7 de janeiro de 2010
deixa
Palavras? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
"Destino do Poeta, Octavio Paz, trad. de Haroldo de Campos
no palavraguda
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
"Destino do Poeta, Octavio Paz, trad. de Haroldo de Campos
no palavraguda
22 de dezembro de 2009
21 de dezembro de 2009
tolice
"Somos todos um só, tenente. Acabo de perceber. Células de um corpo que não vemos, como os peixes não vêem o mar. Daí nos invejamos, nos ferimos, nos odiamos. Tolice, não é? A célula cardíaca odiar a pulmonar."
Cassie, OS TRÊS.
do filme Adaptação
Cassie, OS TRÊS.
do filme Adaptação
love
"Você é aquilo que você ama, não quem ama você."
Donald Kaufman
personagem de Nicolas Cage no filme Adaptação (2002)
Donald Kaufman
personagem de Nicolas Cage no filme Adaptação (2002)
too many
"Existem ideias, coisas e pessoas demais. Caminhos demais a seguir. Comecei a achar que é importante gostar de algo com paixão, pois isso reduz o mundo a um tamanho administrável."
Susan Orlean
personagem de Meryl Streep no filme Adaptação (2002)
Susan Orlean
personagem de Meryl Streep no filme Adaptação (2002)
20 de dezembro de 2009
tem fogo?
"quanto vale a chama do último fósforo da caixinha?
depende se você, só, o acende ou se, juntos, começam uma fogueira."
Souto Fernandes
depende se você, só, o acende ou se, juntos, começam uma fogueira."
Souto Fernandes
17 de dezembro de 2009
16 de dezembro de 2009
fuga
"Ando meia quixotesca. Trago dentro de mim muitos sonhos para fugir da dura realidade."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
esconde
que pedaço
de mim
é mais rijo:
baço
osso
pescoço?
que vão
é esconderijo:
coração
hipófise
cerebelo?
que lugar
é regozijo:
calcanhar
cabelo
ouvido?
refém
ele me mantém,
desconhecido
Renata de Aragão Lopes
de mim
é mais rijo:
baço
osso
pescoço?
que vão
é esconderijo:
coração
hipófise
cerebelo?
que lugar
é regozijo:
calcanhar
cabelo
ouvido?
refém
ele me mantém,
desconhecido
Renata de Aragão Lopes
15 de dezembro de 2009
11 de dezembro de 2009
10 de dezembro de 2009
é triste
"Quando alguém diz que está com medo, não cogita que o maior medo é o da alegria."
@CARPINEJAR
@CARPINEJAR
7 de dezembro de 2009
não foi
"quando começam as pontadas
fico paralisada de medo
raio x dos meus devaneios
motivos de sobra pra doer
a febre aumenta a cada emoção
as batidas aceleram ao ouvir teu sono
sei que dormes enquanto agonizo
eu te odeio na escuridão
eu sei
é impossível sofrer a dois
de nada adiantaria tua preocupação
minha hora chega lentamente
e eu não pretendo te acordar
pra não te ver branco e sem voz
a me dizer adeus
eu não durmo, aterrorizada
porque a danada vem me buscar esta noite
eu espero, lingerie e lágrima
convulsão e testa suada
cabelos molhados, encharcados, pavor
são 4:20 da madrugada escolhida
hoje ela vem, hoje eu sei que vou
mas sem despertá-lo para o pesadelo
em que estou
é hora agora
o arrepio chega mansinho, meu corpo
esparrama
e na cama
me vem a definitiva surdez...
quinze pras oito da manhã
ainda não foi dessa vez"
Martha Medeiros
fico paralisada de medo
raio x dos meus devaneios
motivos de sobra pra doer
a febre aumenta a cada emoção
as batidas aceleram ao ouvir teu sono
sei que dormes enquanto agonizo
eu te odeio na escuridão
eu sei
é impossível sofrer a dois
de nada adiantaria tua preocupação
minha hora chega lentamente
e eu não pretendo te acordar
pra não te ver branco e sem voz
a me dizer adeus
eu não durmo, aterrorizada
porque a danada vem me buscar esta noite
eu espero, lingerie e lágrima
convulsão e testa suada
cabelos molhados, encharcados, pavor
são 4:20 da madrugada escolhida
hoje ela vem, hoje eu sei que vou
mas sem despertá-lo para o pesadelo
em que estou
é hora agora
o arrepio chega mansinho, meu corpo
esparrama
e na cama
me vem a definitiva surdez...
quinze pras oito da manhã
ainda não foi dessa vez"
Martha Medeiros
26 de novembro de 2009
vivendo
"Aquilo que escuto eu esqueço,
Aquilo que vejo eu lembro,
Aquilo que faço eu aprendo."
Confúcio
no palavraguda
Aquilo que vejo eu lembro,
Aquilo que faço eu aprendo."
Confúcio
no palavraguda
23 de novembro de 2009
20 de novembro de 2009
sensibilidade
"Ferramenta tens, não procures em vão. Tenha o coração sensível e use a força da mente."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
18 de novembro de 2009
chamado
"A distância entre dois corações que viveram uma linda história chama-se saudade."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
sempre
"A gente nem sempre encontra quem mereça as nossas palavras, não admira que custe a encontrar quem mereça o nosso corpo…"
António Alçada Batista
no palavraguda
António Alçada Batista
no palavraguda
17 de novembro de 2009
16 de novembro de 2009
comece bem
"Se você não gosta de alguém, ignore-a. Não gaste suas energias vitais para destruir o que já não vale nada para você. É tolice.
E se você vai julgar as pessoas apenas por suas teimosias, opiniões infundadas ou sensações comprometidas, pare. É injustiça.
E se, ainda, você vai começar mais um dia resmungando, reclamando e promovendo a discórdia, desista. É burrice.
Inteligência é fazer o melhor com que o que é, o que se tem, o que se pode.
O resto é doença da cabeça."
Rosana Hermann
E se você vai julgar as pessoas apenas por suas teimosias, opiniões infundadas ou sensações comprometidas, pare. É injustiça.
E se, ainda, você vai começar mais um dia resmungando, reclamando e promovendo a discórdia, desista. É burrice.
Inteligência é fazer o melhor com que o que é, o que se tem, o que se pode.
O resto é doença da cabeça."
Rosana Hermann
11 de novembro de 2009
10 de novembro de 2009
à prova
"Estou de poucas palavras:
tramela.
A-penas
algumas vogais
escapam das celas.
Abertas,
elas gritam ao mundo
o que me cala:
queria um coração
à prova de balas."
Renata de Aragão
tramela.
A-penas
algumas vogais
escapam das celas.
Abertas,
elas gritam ao mundo
o que me cala:
queria um coração
à prova de balas."
Renata de Aragão
9 de novembro de 2009
solte o verbo
"Conjuga um verbo que conheças
no presente do indicativo,
soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido,
dá-me qualquer coisa
que me pareça eterno."
José Rui Teixeira
no palavraguda
no presente do indicativo,
soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido,
dá-me qualquer coisa
que me pareça eterno."
José Rui Teixeira
no palavraguda
5 de novembro de 2009
4 de novembro de 2009
passar em branco
"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende."
Bernardo Soares
no palavraguda
Bernardo Soares
no palavraguda
3 de novembro de 2009
sempre concordei
"E pensava que a cada novo dia teria a chance de se redimir, ser feliz, demonstrar o seu amor. Por isso, deixava para depois. Engano seu. Sempre existe um dia em que não é possível fazer nem uma coisa, nem outra. É quando se descobre o valor de cada segundo..."
Sabrina Davanzo
e tem gente que não entende nunca.
Sabrina Davanzo
e tem gente que não entende nunca.
23 de outubro de 2009
20 de outubro de 2009
não tenho mesmo
“Não tenho paciência para ouvir os outros, não tenho paciência para viver, não tenho paciência para morrer, estou aqui, parada, num desequilíbrio interminável, nunca mais acabo de cair, irrito-me se me falam, sofro se me não dizem nada, odeio o gesto caridoso: a mão de alguém nos meus cabelos, o que eu quero é uma voz que me queira, um momento de descanso nessa voz.”
Rui Nunes, em Grito
no palavraguda
Rui Nunes, em Grito
no palavraguda
18 de outubro de 2009
15 de outubro de 2009
5 de outubro de 2009
ponto de vista
"Da vida, nada, se leve. Tudo, se heavy. Dinheiro, não. Traz felicidade. Tristeza, não tem. Fim."
@marcosbarreto98
@marcosbarreto98
3 de outubro de 2009
origem
"Nada é original. Apropria-te de tudo o que te enche de inspiração ou estimula a tua imaginação. Devora sem distinção filmes velhos e filmes novos, músicas, livros, quadros, fotografias, poemas, sonhos, conversas ouvidas por acaso, arquitetura, sinaléctica urbana, árvores, nuvens, movimentos de água, sombras e luz. Rouba apenas as coisas que falem diretamente ao teu coração. Se agires assim, a tua criação (tal como o teu fruto) será autêntica. A autenticidade é inestimável; a originalidade uma quimera. E não tentes dissimular o que pediste emprestado – reivindica-o se for teu desejo. Dê por onde der, lembra-te sempre do que disse Jean-Luc Godard: 'O importante não é onde se apanha as coisas – é até onde se as leva'."
Jim Jarmusch
Jim Jarmusch
28 de setembro de 2009
24 de setembro de 2009
levado
"Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito."
Caio Fernando de Abreu
no palavraguda
Caio Fernando de Abreu
no palavraguda
21 de setembro de 2009
cuidado
O coração tem dois quartos:
Moram ali, sem se ver,
Num a Dor, noutro o Prazer.
Quando o Prazer no seu quarto
Acorda cheio de ardor,
No seu, adormece a Dor...
Cuidado, Prazer! Cautela,
Canta e ri mais devagar...
Não vá a Dor acordar....
Friedrich Rückert
(Tradução de Antero de Quental)
no palavraguda
Moram ali, sem se ver,
Num a Dor, noutro o Prazer.
Quando o Prazer no seu quarto
Acorda cheio de ardor,
No seu, adormece a Dor...
Cuidado, Prazer! Cautela,
Canta e ri mais devagar...
Não vá a Dor acordar....
Friedrich Rückert
(Tradução de Antero de Quental)
no palavraguda
psiu
"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
13 de setembro de 2009
pro mar
"Mesmo sem naus e sem rumos, mesmo sem vagas e areias, há sempre um copo de mar para um homem navegar."
Jorge de Lima
Jorge de Lima
3 de setembro de 2009
esquenta
"Tarde turquesa
Quarenta graus
Talvez porque você não esteja
tudo lateja
Tarde sem nuvem
Cincoenta graus
Talvez por sua ausência
tudo derreta
Noite sem ninguém
Nada se mexe
Eu sonho nosso amor a sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo parece
Derreter"
“Calor” | Adriana Calcanhoto
no palavraguda
Quarenta graus
Talvez porque você não esteja
tudo lateja
Tarde sem nuvem
Cincoenta graus
Talvez por sua ausência
tudo derreta
Noite sem ninguém
Nada se mexe
Eu sonho nosso amor a sério
E você em outro hemisfério
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo derrete
Enquanto tudo parece
Derreter"
“Calor” | Adriana Calcanhoto
no palavraguda
31 de agosto de 2009
quem?
"Sou homem: duro pouco
E é enorme a noite.
Mas olho para cima:
As estrelas escrevem.
Sem entender, compreendo:
Também fui escrito
E neste mesmo instante
Alguém me soletra."
Irmandade de Octavio Paz
E é enorme a noite.
Mas olho para cima:
As estrelas escrevem.
Sem entender, compreendo:
Também fui escrito
E neste mesmo instante
Alguém me soletra."
Irmandade de Octavio Paz
27 de agosto de 2009
26 de agosto de 2009
a paixão não se dá nas coisas costumeiras
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
Do livro “Eu sei, mas não devia“, de Marina Colasanti
no palavraguda
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
Do livro “Eu sei, mas não devia“, de Marina Colasanti
no palavraguda
sempre é muito
Ele insistia. Era teimoso, não se contentava com o eu-te-amo. Insistia, insistia.
— Diga que é para sempre.
Ela, querendo ser totalmente sincera, respondia:
— Para sempre… não, não posso dizer.
Engraçado que, lá no fundo, sabia que era para sempre, mas desconfiava de promessas que não pudessem ser cumpridas por culpa da vida. Era como prometer que não se iria morrer.
— Por que você não diz, hem Maria? Você não me ama de verdade?
— E como, João! Amo a você até mais do que a mim mesma, mas a vida…
— Pois eu digo sem medo: amo você para sempre, sempre, sempre…
Maria ria entre feliz e sem graça. E entregava-se a esse amor que fazia cada minuto parecer o sempre.
Um dia João chega muito solene e pede-lhe:
— Maria, mesmo que não seja, diga pra mim que é pra sempre, tá? Quero ouvir “para sempre”.
E Maria passou a dizer o advérbio. A princípio tímida; depois categoricamente.
— Eu te amo, João.
— Muito?
— Muito — respondia ela.
— Para sempre?
— Para sempre — confirmava.
O tempo passava. O amor de Maria por João aumentava. Agora o sempre era uma certeza e a vida só delícias, para todo o sempre.
— Pra sempre te amarei, João.
— Sei disso, Maria. Nós dois somos para sempre.
— É, João, pra sempre.
Maria não tinha dúvidas quanto a João. E muito menos quanto a si mesma.
Eternamente para sempre… para sempre eternamente.
E a felicidade vivia com ela e tão plena estava que nem percebia João fazer-se um talvez. Esquivo hoje, amanhã — e ela não via ou não queria ver. Até que…
— Maria, vou-me embora.
— Por que, uai!
— Não te amo mais, Maria.
— Não?!
— Não.
— Assim, João?
— É.
— Mas não podemos… não posso fazer alguma coisa? Me dá um tempo, João.
— Não, não posso.
— Mas, João!
— Não volto mais, Maria. E é para sempre.
do livro “Porção de Tintas“ de Márcia Carrano
no palavraguda
— Diga que é para sempre.
Ela, querendo ser totalmente sincera, respondia:
— Para sempre… não, não posso dizer.
Engraçado que, lá no fundo, sabia que era para sempre, mas desconfiava de promessas que não pudessem ser cumpridas por culpa da vida. Era como prometer que não se iria morrer.
— Por que você não diz, hem Maria? Você não me ama de verdade?
— E como, João! Amo a você até mais do que a mim mesma, mas a vida…
— Pois eu digo sem medo: amo você para sempre, sempre, sempre…
Maria ria entre feliz e sem graça. E entregava-se a esse amor que fazia cada minuto parecer o sempre.
Um dia João chega muito solene e pede-lhe:
— Maria, mesmo que não seja, diga pra mim que é pra sempre, tá? Quero ouvir “para sempre”.
E Maria passou a dizer o advérbio. A princípio tímida; depois categoricamente.
— Eu te amo, João.
— Muito?
— Muito — respondia ela.
— Para sempre?
— Para sempre — confirmava.
O tempo passava. O amor de Maria por João aumentava. Agora o sempre era uma certeza e a vida só delícias, para todo o sempre.
— Pra sempre te amarei, João.
— Sei disso, Maria. Nós dois somos para sempre.
— É, João, pra sempre.
Maria não tinha dúvidas quanto a João. E muito menos quanto a si mesma.
Eternamente para sempre… para sempre eternamente.
E a felicidade vivia com ela e tão plena estava que nem percebia João fazer-se um talvez. Esquivo hoje, amanhã — e ela não via ou não queria ver. Até que…
— Maria, vou-me embora.
— Por que, uai!
— Não te amo mais, Maria.
— Não?!
— Não.
— Assim, João?
— É.
— Mas não podemos… não posso fazer alguma coisa? Me dá um tempo, João.
— Não, não posso.
— Mas, João!
— Não volto mais, Maria. E é para sempre.
do livro “Porção de Tintas“ de Márcia Carrano
no palavraguda
fale
Esta noite… esta chuva… estas reticências. Sei lá. Quem seria capaz de abrir o peito e mostrar a ferida? De dizer o nome? De lembrar, sequer lembrar, o rosto? Quem seria capaz de contar a história? De chamar o maior amigo, ou melhor, o inimigo, e dizer:
— Estou me sentindo assim, assim, assim…
A humanidade está necessitando, urgentemente, de afeto e milagre. Mas não sabe onde estão as mãos, nem os deuses. E, quando souber, vai achar que as mãos e os deuses são de mentira. Os olhos de todos estarão cheios de medo (…)
Há poucos minutos, em meu quarto, na mais completa escuridão, a carência era tanta que tive de escolher entre morrer e escrever estas coisas. Qualquer das escolhas seria desprezível. Preferi esta (escrever), uma opção igualmente piegas, igualmente pífia e sentimental, menos espalhafatosa, porém. A morte, mesmo em combate, é burlesca.
Uma pergunta, que não tem nada a ver com o corpo desta canção. Quem saberia discriminar o ódio do amor? Ninguém. Os psicologistas e analistas têm perdido um tempo enorme.
Ontem à noite, voltando para casa, senti-me espectador de mim mesmo. E confesso que, pela primeira vez, não achei a menor graça. Saíra, pela primeira vez, de óculos e o porteiro do edifício me recebeu com esta agradável pergunta:
— Que é que houve? O senhor está mais velho?
Tirei os óculos e, fitando-o, esperei as desculpas. Mas o homem continuou:
— O que é que houve? De ontem para cá, o senhor envelheceu.
Tinha pensado que, sem os óculos…
Não estou escrevendo para ninguém gostar ou, ao menos, entender. Estou escrevendo, simplesmente, e isto me supre: contrabalança, quando nada. Esta noite, esta chuva — e poderia escrever as coisas mais alegres, esta noite. Neruda, coitado, as mais tristes.
Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro com a porta aberta. Mas isto é muito pouco, para quem não tem sequer a coragem de abrir a camisa e mostrar a ferida.
(9/10/1964)
“Canção de Homens e Mulheres Lamentáveis” do livro “Com Vocês Antônio Maria”, de Antônio Maria
no palavraguda
— Estou me sentindo assim, assim, assim…
A humanidade está necessitando, urgentemente, de afeto e milagre. Mas não sabe onde estão as mãos, nem os deuses. E, quando souber, vai achar que as mãos e os deuses são de mentira. Os olhos de todos estarão cheios de medo (…)
Há poucos minutos, em meu quarto, na mais completa escuridão, a carência era tanta que tive de escolher entre morrer e escrever estas coisas. Qualquer das escolhas seria desprezível. Preferi esta (escrever), uma opção igualmente piegas, igualmente pífia e sentimental, menos espalhafatosa, porém. A morte, mesmo em combate, é burlesca.
Uma pergunta, que não tem nada a ver com o corpo desta canção. Quem saberia discriminar o ódio do amor? Ninguém. Os psicologistas e analistas têm perdido um tempo enorme.
Ontem à noite, voltando para casa, senti-me espectador de mim mesmo. E confesso que, pela primeira vez, não achei a menor graça. Saíra, pela primeira vez, de óculos e o porteiro do edifício me recebeu com esta agradável pergunta:
— Que é que houve? O senhor está mais velho?
Tirei os óculos e, fitando-o, esperei as desculpas. Mas o homem continuou:
— O que é que houve? De ontem para cá, o senhor envelheceu.
Tinha pensado que, sem os óculos…
Não estou escrevendo para ninguém gostar ou, ao menos, entender. Estou escrevendo, simplesmente, e isto me supre: contrabalança, quando nada. Esta noite, esta chuva — e poderia escrever as coisas mais alegres, esta noite. Neruda, coitado, as mais tristes.
Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro com a porta aberta. Mas isto é muito pouco, para quem não tem sequer a coragem de abrir a camisa e mostrar a ferida.
(9/10/1964)
“Canção de Homens e Mulheres Lamentáveis” do livro “Com Vocês Antônio Maria”, de Antônio Maria
no palavraguda
24 de agosto de 2009
seja claro
"Contradiga-se! Seja honesto, mesmo se isso fizer você parecer fraco. Seja forte, mesmo quando isso fizer você parecer arrogante. Evite a mediocridade."
O telescópio de Schopenhauer | Gerard Donovan
no palavraguda
O telescópio de Schopenhauer | Gerard Donovan
no palavraguda
20 de agosto de 2009
preciso ir
"- Vê aquela estrada logo ali na frente? Coloca um pé na frente do outro e vai. Sem olhar pra trás.
- Não posso! Meus pés estão colados a este instante para sempre.
- Se você quiser, eles descolam. Mas só se você quiser.
- Não entendes que este é exatamente o meu problema? Não sei o que quero."
Sabrina Davanzo
- Não posso! Meus pés estão colados a este instante para sempre.
- Se você quiser, eles descolam. Mas só se você quiser.
- Não entendes que este é exatamente o meu problema? Não sei o que quero."
Sabrina Davanzo
sei não
"Vez em quando esse não-sei-o-que que mora dentro de mim sai pra passear e me faz sentir arrepios, querer colo. Ensinaram que é preciso ser forte que nem São Jorge, que faz aniversário junto comigo e mora na lua. Mas lá ele tem as estrelas. Quem eu tenho por aqui? Só as pontas dos meus dedos suados de medo. Aperto com força. A dor faz esquecer dos arrepios e de que esse não-sei-o-que vive prestes a me sufocar."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
quero asas
"Não posso dar asas a mim mesma. Isso eu descobri tentando algumas vezes. Nunca saí voando embora alguns momentos de imensa alegria ou tristeza fossem propícios para tal feito.
Conformei em dar asas às borboletas e pássaros que dobro cuidadosamente em papéis coloridos.
Depois de trazê-los à vida, não os prendo a mim. Distribuo-os aos meus amigos, que recebem achando graça e querendo aprender dar asas também. Nem que seja à imaginação. É uma corrente que não para. Desde então, todos os dias, nascem dezenas de pássaros e borboletas e, com eles, sorrisos."
Sabrina Davanzo
Conformei em dar asas às borboletas e pássaros que dobro cuidadosamente em papéis coloridos.
Depois de trazê-los à vida, não os prendo a mim. Distribuo-os aos meus amigos, que recebem achando graça e querendo aprender dar asas também. Nem que seja à imaginação. É uma corrente que não para. Desde então, todos os dias, nascem dezenas de pássaros e borboletas e, com eles, sorrisos."
Sabrina Davanzo
18 de agosto de 2009
ávido por biscoitos bávaros
"Harold mordeu o biscoito bávaro, sentindo que tudo finalmente ficaria bem.
Às vezes, quando nos perdemos no medo e no desespero, na rotina e na constância, no desespero e na tragédia, podemos agradecer a Deus pelos biscoitos bávaros. E felizmente, quando os biscoitos bávaros acabarem, ainda teremos consolo em uma mão amiga na nossa pele, um gesto gentil e afetuoso, num apoio sutil, num abraço carinhoso.
Sem falar em macas de hospital, segredos sussurados, Fender Stratocasters, e talvez um livro.
Devemos lembrar que todas essas coisas, essas nuances, anomalias e detalhes que parecem superficiais na nossa vida, estão aqui por uma causa bem mais nobre: salvar nossas vidas."
do filme Mais estranho que a ficção
Às vezes, quando nos perdemos no medo e no desespero, na rotina e na constância, no desespero e na tragédia, podemos agradecer a Deus pelos biscoitos bávaros. E felizmente, quando os biscoitos bávaros acabarem, ainda teremos consolo em uma mão amiga na nossa pele, um gesto gentil e afetuoso, num apoio sutil, num abraço carinhoso.
Sem falar em macas de hospital, segredos sussurados, Fender Stratocasters, e talvez um livro.
Devemos lembrar que todas essas coisas, essas nuances, anomalias e detalhes que parecem superficiais na nossa vida, estão aqui por uma causa bem mais nobre: salvar nossas vidas."
do filme Mais estranho que a ficção
16 de agosto de 2009
é bom
Morango com chantilly
Pipoca com futebol
Preguiça com rede
Varanda com violão
Chuva com cobertor
Escola com diversão
Natal com família
Criança e sorriso no ar
Viagem
Saudade
Irmã com carinho
Azul com sorvete e mar
Cantar, cantar, cantar
Cantar, cantar, cantar
Cantar em qualquer lugar
Eu e você
Sonhar
Do que é bom | Amaranto
Cd Três Pontes
Pipoca com futebol
Preguiça com rede
Varanda com violão
Chuva com cobertor
Escola com diversão
Natal com família
Criança e sorriso no ar
Viagem
Saudade
Irmã com carinho
Azul com sorvete e mar
Cantar, cantar, cantar
Cantar, cantar, cantar
Cantar em qualquer lugar
Eu e você
Sonhar
Do que é bom | Amaranto
Cd Três Pontes
13 de agosto de 2009
procurando
"Passei anos me procurando por lugares nenhuns. Até que não me achei - e fui salvo."
Manoel de Barros
Manoel de Barros
10 de agosto de 2009
verdades
"Acredito ainda nas mesmas coisas. Ainda acho que a dignidade do homem é inseparável das intenções e dos fins a que ele se propõe. Só que, entre as intenções e os fins, quase sempre temos de passar por uma série de mal-entendidos."
Riba, personagem de Dias Gomes, do livro Campeões do Mundo.
no palavraguda
Riba, personagem de Dias Gomes, do livro Campeões do Mundo.
no palavraguda
ser
"A única diferença que existe entre mim e meus companheiros é que eles se sentem satisfeitos de si e eu estou muito longe de me sentir satisfeita com eles, e ainda menos comigo."
Excerto de carta datada de Quarta-feira, 7 de março de 1764, Madame Du Deffand, Cartas a Voltaire
no palavraguda
Excerto de carta datada de Quarta-feira, 7 de março de 1764, Madame Du Deffand, Cartas a Voltaire
no palavraguda
5 de agosto de 2009
3 de agosto de 2009
parado
"Destino, sabes o que fazes quando sobrevéns com teus furacões na nevada das estrelas, apagando um sol atrás de outro com teu sopro e quando o luminoso orvalhar das constelações cessa de brilhar à tua passagem?"
Jean Paul
no palavraguda
Jean Paul
no palavraguda
9 de julho de 2009
dia todo
"Todo dia sentia uma dorzinha no coração, umas pontadas. Piorava a noite. Falaram que podia ser angina. Não era não. Ela sabia que o órgão lhe doía era de solidão."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
implodir ou implorar
"Hoje meu espírito saiu em protesto em meio ao caos que se instalou nas avenidas de minha vida. Solitário, bradava gritos inaudíveis. Implorava por paz."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
8 de julho de 2009
2 de julho de 2009
limites
"Sou barragem que segura águas inquietas, revoltas. Um dia acaba que não me aguento: rompo."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
desejos
"- Sabe, eu vi o sol se pôr 30 mil vezes, e não consigo me lembrar de duas que tenham sido iguais. Que mais é possível desejar?"
Jim Dodge, Fup
no palavraguda
Jim Dodge, Fup
no palavraguda
jovens
"Os adultos são inacreditavelmente chatos e complicados. E têm calos e caspa. Deixam a imaginação em casa e partem para a rua soltando mau hálito. Prefiro me comunicar com jovens, seres ainda não quebrados e distorcidos. Ou com quem permanece jovem."
Ary Quintella, em entrevista a Edla van Steen
no palavraguda
Ary Quintella, em entrevista a Edla van Steen
no palavraguda
26 de junho de 2009
24 de junho de 2009
depende
"Porque o mais belo sono não vale o momento em que se acorda."
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
iluminados
"Aprendi a julgar todos os seres pela sua capacidade de recepção luminosa; alguns que durante o dia souberam acolher o sol apareceram-me a seguir, à noite, como celas de claridade."
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
eu desejo
"Sei que não tenho um só desejo
que já não tenha sua resposta preparada."
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
que já não tenha sua resposta preparada."
Frutos da Terra | André Gide
no palavraguda
18 de junho de 2009
17 de junho de 2009
sem troco
"troco eufemismos por pleonasmos.
se ficou por dizer, fique com o troco.
quero é andar pra frente,
subir pra cima
do mundo.
do gosto da simplicidade
do pensamento
sinto a profundidade do meu sentimento;
"e rir meu riso" como o poeta.
subirei ao raso para não me afogar
em lágrimas
lá
subirei bem alto
onde o sol me seca."
Souto Fernandes
se ficou por dizer, fique com o troco.
quero é andar pra frente,
subir pra cima
do mundo.
do gosto da simplicidade
do pensamento
sinto a profundidade do meu sentimento;
"e rir meu riso" como o poeta.
subirei ao raso para não me afogar
em lágrimas
lá
subirei bem alto
onde o sol me seca."
Souto Fernandes
deixa o tempo
"Fico olhando para o coelho que mora em cima da minha cama, tão cheio de si. Eu que ando me sentindo tão vazia. Peço para ele um pouco daquela coisa que o torna tão fofinho para preencher o buraco que tenho no coração. Ele diz que não pode. Se ele me completar, quem vai ficar murcho é ele."
Sabrina Davanzo
Sabrina Davanzo
15 de junho de 2009
não verão
"O verão passou
A primavera ainda não floresceu
As estações em descompasso
Meus sentimentos
Eu passo
A chance de um novo começo
Pelos invernos do meu
Compasso
Quero adormecer"
Souto Fernandes
A primavera ainda não floresceu
As estações em descompasso
Meus sentimentos
Eu passo
A chance de um novo começo
Pelos invernos do meu
Compasso
Quero adormecer"
Souto Fernandes
porte de arma
"A memória é uma arma branca. De tão branca, apaga todo vestígio de paz. Sempre afiada, à qualquer palavra corta o fio que desenrola o carretel e me enforca em lembranças.
Ainda tem um poder de arremessar-me aos pensamentos de futuros que não existem. Ou só existem na imaginação. Tempos que pertencem só a mim, dos quais não faço parte.
Um bar, um filme, uma palavra. Tudo suja minha lembrança de um futuro branco. Sem meu nome. Sem minha imagem. Sem nada e com tudo que me tira a paz."
Souto Fernandes
Ainda tem um poder de arremessar-me aos pensamentos de futuros que não existem. Ou só existem na imaginação. Tempos que pertencem só a mim, dos quais não faço parte.
Um bar, um filme, uma palavra. Tudo suja minha lembrança de um futuro branco. Sem meu nome. Sem minha imagem. Sem nada e com tudo que me tira a paz."
Souto Fernandes
14 de junho de 2009
rabisco contornos
"Existe uma paisagem interna, uma geografia da alma, cujos contornos buscamos durante toda a nossa vida."
Josephine Hart em Perdas e Danos
Josephine Hart em Perdas e Danos
12 de junho de 2009
momento meu
"A meditação é uma retirada para dentro de nós mesmos, constrói uma célula invisível, que seja um observatório e um laboratório, onde os fenômenos turbilhonantes sejam peneirados, escolhidos, analisados, convertidos em leis gerais, em idéias, em modos de espírito. Ela supõe duas coisas, a comunicação com o mundo, e a faculdade de abstrair-se dele.
Não temos necessidade de procurar o mundo, porque ele vem a nós por si; é a defensiva que é mais difícil."
Diário Íntimo | Amiel
no palavraguda
Não temos necessidade de procurar o mundo, porque ele vem a nós por si; é a defensiva que é mais difícil."
Diário Íntimo | Amiel
no palavraguda
8 de junho de 2009
silencia
"e só falaria no presente do indicativo. se acaso o futuro trouxesse a lembrança que outrora doía, diria 'é passado, passado imperfeito'".
rapidamente
rapidamente
crescendo
"cultivar aquilo que me alimenta. pra que um dia eu torne quem eu realmente sou."
do (excelente) rapidamente
do (excelente) rapidamente
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